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09.03 | 10h41 - O Estado de S. Paulo
Proposta dos EUA é compensar subsídios


       Em visita ao Brasil, secretário do Comércio tenta alternativa pacífica
       
       Os Estados Unidos apresentarão hoje uma proposta de compensação comercial ao Brasil como primeiro passo na negociação de uma alternativa "pacífica" às retaliações autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A oferta será apresentada nesta manhã ao Itamaraty por Michael Froman, conselheiro-adjunto de Segurança Nacional para Assuntos Econômicos Internacionais da Casa Branca, que acompanha o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Gary Locke, em visita oficial a Brasília.
       
       Ontem, uma autoridade do Departamento de Estado considerou "dura" a lista de produtos americanos sujeitos às retaliações, mesmo sabendo da exclusão dos itens que poderiam ter um peso maior no comércio bilateral e de sua aplicação apenas dentro de 30 dias, caso as negociações de uma alternativa venham a falhar. A autorização da OMC para o Brasil retaliar os Estados Unidos foi resultado de uma controvérsia de sete anos em torno da política americana de subsídios aos produtores de algodão.
       
       Segundo a mesma fonte, os Estados Unidos poderão apresentar ainda outra oferta, relacionada a "interesses políticos do governo brasileiro". O conteúdo foi mantido sob sigilo, à espera da conversa de hoje entre Froman e o subsecretário de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty, embaixador Pedro Luiz Carneiro de Mendonça.
       
       A expectativa é de que os americanos adotem uma posição conciliadora e não levem adiante uma guerra comercial contra o Brasil, optando por tentar convencer o governo brasileiro a retornar para a mesa de negociações, segundo indicaram autoridades ontem.
       
       Nas últimas semanas, empresários brasileiros e americanos deram algumas indicações aos EUA sobre o que gostariam de ver num eventual pacote de compensações ao Brasil. Segundo fontes do setor privado envolvidas na negociação, a tendência é que a administração Obama restrinja as ofertas ao que pode ser resolvido apenas pelo Executivo, sem entrar no que depende do Congresso.
       
       Entre as propostas apresentadas pelo setor privado, estaria um fundo de apoio à cotonicultura, a transferência das cotas de açúcar de outros países para o Brasil, o comprometimento de Obama em se empenhar pelo fim da tarifa do etanol que será avaliada pelo Congresso no fim do ano, redução de tarifas para produtos têxteis, e agilizar a queda das barreiras sanitárias à exportação de carnes bovina, de frango e suína do Brasil para os Estados Unidos.
       
       O problema é esses temas mexem com outros lobbies poderosos nos EUA, como os produtores de açúcar ou de milho. E também tendem a desagradar outros países, que podem ser prejudicados no mercado americano para dar mais espaço aos brasileiros. "Para oferecer compensações, os Estados Unidos estão entre o ruim e o péssimo", disse uma fonte.
       
       DECEPÇÃO
       
       Oficialmente, o governo dos Estados Unidos se declarou "decepcionado" com as autoridades brasileiras de anunciar que vão elevar em 30 dias a tarifa de importação de 102 produtos depois de a OMC autorizar o Brasil a retaliar os americanos por concederem subsídios à produção e à exportação de algodão.
       
       "Estamos muito desapontados por saber que as autoridades do Brasil decidiram levar adiante retaliações contra os Estados Unidos na OMC na disputa envolvendo o algodão", disse em comunicado oficial Nefeterius McPherson, porta-voz do chefe do United States Trade Representative (USTR), Ron Kirk. O USTR é órgão do Poder Executivo americano responsável pelo setor de comércio internacional.
       
       Segundo ela, "o USTR está trabalhando para alcançar uma solução nos temas ligados à disputa, sem que o Brasil precise recorrer a retaliações, optando por uma solução negociada". O comunicado é encarado como a posição oficial dos americanos, que não quiseram se aprofundar na questão dos subsídios à produção e à exportação de algodão.
       
       O governo americano pretende se esquivar de mudanças em sua política de subsídios ao setor do algodão. O Itamaraty está



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